estava tudo tão perfeito...

Tu sabias o que eu queria ouvir, mas ainda assim hesitas-te. Olhaste-me nos olhos. Dentro de mim parecia haver um furação, parecia que alguma coisa tinha explodido, era uma agitação tão grande, uma felicidade incontrolável. Tu percebeste tudo naquele olhar, eu sei que sentiste o mesmo que eu, eu vi-o. Mas no segundo seguinte estavas distante, longe, muito longe, longe de mais, até. Eu baixei o olhar, tu viste que eu percebi o vazio nos teus olhos. Pegaste nas minhas mãos e eu ganhei coragem para voltar a focar o teu rosto. Só disseste: anda. Acreditei em ti, segui-te em silêncio com um sorriso na cara. Chegamos a um jardim lindo, encostaste-me a um muro, sorris-te para mim como nunca tinhas sorrido antes, beijaste-me. Estava tudo tão perfeito, o sítio, a companhia, o momento, mas paraste e afastaste-te. Ficaste minutos parado a olhar para as árvores e as flores, achei por bem não falar por mais que a preocupação me estivesse a consumir. De repente viraste-te e abraçaste-me, puseste as tuas mãos macias e quentes na minha cara e mudas-te a minha vida com duas palavras, disseste “ vem comigo “. Eu não percebi, e tu viste isso na minha expressão, mostraste-me dois bilhetes. Eu comecei a chorar, interpretaste-me mal e choras-te comigo. Encostaste-te ao muro, a meu lado. E com um “sim” transformei a tua tristeza em felicidade, das tuas lágrimas nasceu um sorriso e em nós cresceu um futuro. Hoje, ao fim de tantos anos, continuo aqui ao teu lado, não sei se te recordas ou até se me estás a ouvir mas deste dia eu nunca me esqueci.

/4 de Outubro, 2010

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